terça-feira, 27 de dezembro de 2011

INDÚSTRIA DO CINEMA $EM CORTES









Por Daniel Pajares

“Luz, câmera e dólar” seria o melhor bordão para retratar o quanto a indústria milionária do cinema representa nos tempos atuais. De fato, não dá para pensar o cinema apenas como a “sétima arte”, conforme expressão criada em 1911 pelo teórico italiano Riccioto Canudo. A transformação desse conceito segundo o qual o mundo do cinema financiaria ou registraria apenas os acontecimentos ou narraria histórias foi se perdendo com o passar dos anos.
   Mesmo com insistentes esforços de alguns países no sentido de organizarem nacionalmente sua indústria cinematográfica, como Alemanha, Itália e França, na Europa; o Japão, a Índia e Taiwan, na Ásia; e o Brasil e México, na América Latina, coube somente aos EUA fazê-lo plenamente. Com efeito, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há setenta anos aproximadamente, os norte-americanos não apenas são concentrados na quase totalidade mundial de estúdios cinematográficos, mas, sobretudo, concentram o maior número de corporações que compõem a cadeia produtiva industrial.
Para Paulo Casa Nova, comentarista de cinema da rádio Guaíba AM, conselheiro e membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, antes da ascensão do cinema de Hollywood, o cinema europeu, então hegemônico, ditava as regras do mercado mundial. Fantômas, Asta Nielsen e Max Linder, todos europeus, eram os astros mundiais do período. Foi necessária a autodestruição da Primeira Guerra Mundial para que os Estados Unidos tomassem a liderança cinematográfica para nunca mais perdê-la.
Atualmente, a despeito de permanecer uma grande competitividade entre as grandes indústrias mundiais, o cinema vem perdendo um pouco de sua lucrativa performance para uma outra grande potência, a qual mantém, a propósito, estreita relação com o próprio cinema: a de games.
A indústria dos jogos eletrônicos, que envolve a venda de consoles, hardwares e softwares voltados especificamente para este propósito, chegou a crescer, segundo dados do NPD Group – um dos mais importantes órgãos de pesquisa de mercado dos Estados Unidos – de 1999 até 2009, mais de 400% em faturamento. Para base de comparação, no mesmo período a indústria cinematográfica cresceu por volta de 32%. O ano de 2008, apesar da crise, foi um dos melhores para o setor de jogos, que faturou mais de R$ 37 bilhões somente nos Estados Unidos, o maior mercado no mundo, responsável por quase 40% da produção.
Billy Bob Thornton (ator, diretor, roteirista e músico), em entrevista ao The Telegraph, afirma: "Vivemos uma época onde estamos produzindo - em minha humilde opinião - os piores filmes da história". Ele, no entanto, não citou nenhum desses “piores filmes”.
A indústria cinematográfica, assim como qualquer outra, gera produtos para os mais variados extratos de consumo. A interpretação do que seria bom ou ruim, do que seria arte em película ou lixo comercial em relação ao cinema é extremamente relativa. No entanto, Thornton estabelece uma relação direta em que o público consumidor de jogos eletrônicos estaria ditando o formato de filmes de ação: "Eles (os filmes) são direcionados a essa geração de jogadores. E esses jogos (...) são sobre matar pessoas por diversão, penso que tradicionalmente nos filmes, sempre existiu alguma lição nos filmes violentos".
Uma vez que faltaram as referências do que seria bom ou não, e qual o ponto de estagnação do cinema de ação quando tomado pela influência da "geração de jogadores", fica difícil estabelecer parâmetros de comparação a partir da teoria de Thornton. No entanto, generalizar a indústria de jogos eletrônicos a jogos de violência, culpar a simplicidade de alguns roteiros cinematográficos como corrompidos por um público jovem bestializado pela suposta banalização da violência eletrônica, parece justificativa para uma falta de qualidade historicamente inerente à própria indústria cinematográfica.
Para Casa Nova, existe uma regra de ouro no cinema industrial: “Enquanto der lucro filme de novo, se der prejuízo, pare de filmar”. Talvez essa frase retrate um pouco essa tal falta de qualidade citada por Thornton sobre a indústria cinematográfica que realmente se vê na busca incessante por cadeiras e salas de cinema extremamente cheias. Ainda segundo Casa Nova, “o cinema industrial, hoje, se vê encurralado pela internet, assim como as gravadoras estavam com o surgimento dos primeiros sites de compartilhamento de música, como o Napster. Os estúdios estão atirando para todos os lados: filmes em 3D, independentes, franquias como Jogos Mortais, o que for”.

Um comentário:

  1. Realmente, hoje em dia com a internet você não precisa pagar nada!
    Estou seguindo o seu blog :)
    http://leituradaestante.blogspot.com/

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