Por Michel Penna
O cinema como conhecemos atualmente é provido de altas tecnologias e recursos digitais, como os efeitos especiais que o complementam e o tornam mais interativo. São eles que possibilitam todas as artes gráficas que vemos nas grandes produções, como os filmes 3D.
Por isso, as indústrias cinematográficas (principalmente a americana – através de sua “capital” do cinema – mais conhecida como Hollywood), investem muito nos recursos digitais. Ainda mais quando eles são a base de grandes produções, como por exemplo, filmes de super-heróis: Homem-Aranha 1, 2 e 3 (2002, 2004 e 2007); os mais recentes longas do Batman (2005 e 2008) e os X-Men 1, 2 e 3 (2000, 2003 e 2006). Outros exemplos são os longas baseados em mitologias: como Fúria de Titãs (2010) e Imortais (2011); ou em adaptações de Best Sellers: como as produções de Harry Potter (de 2001 a 2011) e Senhor dos Anéis 1, 2 e 3 (de 2001 a 2003).
Os diretores e produtores perceberam que longas que “abusam” dos recursos digitais podem ser muito rentáveis. Segundo o livro Almanaque do Cinema (da Editouro), as franquias de Harry Potter e Senhor dos Anéis, por exemplo, bateram recordes de bilheteria. A primeira se tornou a número um em bilheteria na história (com US$ 7,3 bilhões) e a segunda vem, na seqüência (com US$ 2,9 bilhões).
“Essa interação com as tecnologias faz com que o cinema fique cada vez mais democratizado, menos institucionalizado e mais personalizado. Ainda mais que a tendência é sair das salas de cinema para a casa das pessoas, embora a indústria tente de todas as maneiras manter o espetáculo comercial através do 3D, Imax e outras formas de cinema imersivo”, afirma o crítico de cinema Carlos Alberto Mattos.
Ele diz acreditar que essas novas tecnologias não são negativas, pois além de incrementar as produções, não as fazem perder sua essência original. “O 3D, por exemplo, é apenas uma trucagem tecnológica, o que se faz com ele é outro assunto. Wim Wenders e Werner Herzog fizeram documentários magníficos em 3D recentemente”, completa.
Ocorreram muitas transformações tecnológicas nos últimos anos. Uma das mais recentes tecnologias do cinema são os filmes 4D (Quarta Dimensão). Ela é utilizada em sincronia com a 3D, pois adiciona experiências sensoriais a um filme em terceira dimensão, dando aos telespectadores a possibilidade de sentir cheiros, por exemplo. Na verdade, não há uma “lista oficial” do que pode ser acrescentado: será feito o que puder para incrementar a sessão, como cadeiras vibratórias, espirros de água, jatos leves de vento – de acordo com o filme.
Essa tecnologia é nova para o Brasil e para muitos outros países, mas há quem já esteja a frente no uso desses recursos. É o que acontece, por exemplo, com a Coréia do Sul onde já foram testados em sessões públicas, como nas apresentações dos filmes Viagem ao Centro da Terra (2008) e Avatar (2009).
“É uma fase importante de mudanças para o cinema; é fase de transição tecnológica. Em breve, tudo tende a ser diferente, tudo tende a ser digital, saindo das ‘telonas’ para invadir as pequenas, como celulares e afins. Mas, por outro lado, é algo difícil porque nada ainda é certo e definitivo, e tudo isso é o que torna o processo legal e desafiador”, afirma o crítico de cinema, Rubens Ewald Filho.
De fato, a tendência à transição das tecnologias do cinema para outras plataformas, como TV’s e celulares, é cada vez maior. Mas é necessário ter cuidado com a utilização das novas tecnologias em excesso, pois, segundo o site Cineclick, um estudo feito pelo canal norte-americano CBS e pela Universidade da Califórnia, em 2010, aponta que a possibilidade de pessoas terem problemas de saúde ao assistirem as transmissões televisivas em 3D chega a 20%. Isso porque elas podem desenvolver tontura ou dores de cabeça ao ficarem muito expostas a aparelhos com esses tipos de recursos, uma vez que não conseguem sentir os efeitos da terceira dimensão por terem problemas nos músculos dos olhos.

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