sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cinema brasileiro ganha o mundo


Com o crescimento evidente, aos poucos, cinema brasileiro encontra sua melhor fase

Por Rafael Carvalho


 Ao contrário do que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos, o cinema brasileiro levou muito tempo para se desenvolver. Desde que surgiu no Brasil, apenas as primeiras empresas cinematográficas e produtoras de filmes do gênero chanchadas tinham obtido algum sucesso. Pelo menos, até recentemente.
A indústria cinematográfica brasileira sofreu muito com falta de verbas para suas produções. Nos países onde o cinema é considerado exemplo para o mundo, as suas produções contam com verbas e incentivos milionários. Mas a nossa história começa ter um pequeno alento, a partir de 1995, com iniciativas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
 

Segundo a gerente do Departamento de Cultura, Entretenimento e Turismo do BNDES (Decult), Patrícia Vieira, o banco cobre todas as fases desde a produção até a finalização para realização de uma boa obra audiovisual e também criou pacotes específicos de incentivo para o cinema nacional. Vieira ressalta ainda que, com esses incentivos, nos últimos cinco anos, o Brasil viu “entrar” em seus cofres mais de 165 milhões de reais. O orçamento para 2012 é mais animador ainda: estima-se que um bilhão de reais seja injetado em produções cinematográficas aqui no Brasil.
Conseguindo uma valorização do público interno, atraindo grandes multidões e exercendo um grande lucro com bilheterias, hoje, o Brasil dispõe de uma grande distribuição de suas obras para outros países. O maior exemplo disso é a veiculação de filmes como Carlota Joaquina (1995), Central do Brasil (1998), Abril despedaçado (2001), Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003), Tropa de Elite (2007), Próxima Parada 174 (2008), Meu nome não é Johnny (2008), entre outros. Os prêmios recebidos pelo cinema nacional em festivais considerados como alguns dos melhores do mundo - como o Festival de Cannes, de Berlim, indicações para o Oscar -, só reforçam a idéia de que estamos no caminho certo.

 
 
Para Adriano de Oliveira Pinto, escritor, coordenador do site Cine Revista e membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), o Brasil não depende somente de dinheiro para realizar produções maravilhosas e reconhecidas mundialmente. Abril Despedaçado é um exemplo de filme que não precisou de muita verba para ser um excelente longa que se compara até com blockbusters hollywoodianos.
Segundo o escritor, o Brasil produziu e produz sonhos travestidos de obras audiovisuais. Além de nossas obras serem vistas e respeitadas por mais pessoas em outros países, somos exportadores de grandes talentos como o diretor de fotografia Affonso Beato, o montador Daniel Rezende, o compositor Antonio Pinto, os diretores Walter Salles, Hector Babenco, Bruno Barreto, Fernando Meirelles, Heitor Dhalia e José Padilha, escolhidos para projetos no exterior.

 Um dos gêneros que mais cresce na atual fase do cinema brasileiro é o documentário. Este consiste numa representação subjetiva da realidade. Nessa área, uma obra de destaque – que, este ano, concorre ao Oscar de melhor documentário no exterior - é Lixo Extraordinário (2010), do artista plástico Vik Muniz. O documentário retrata a dura rotina de trabalho no maior aterro sanitário da América Latina, o Jardim Gramacho (Duque de Caxias).
Para este artista, o lixo significa arte e para as pessoas envolvidas na reciclagem, um meio de sobrevivência. O documentário expõe um problema que atinge só nessa região do Rio de Janeiro, dez mil pessoas. Os catadores de lixo estão com seus dias contados neste local, pois sua licença é válida até o final de 2011. Depois desse período, não haverá mais atividade de catadores.
 

Na maioria absoluta das vezes, o atual cinema brasileiro parece insistir em mostrar os problemas da nossa realidade, em geral, fruto da desigualdade e injustiça social. Isso pode parecer negativo aos olhos de alguns. Mas é justamente a temática social – associada à qualidade dos nossos profissionais – que tem projetado o cinema brasileiro mundo afora.

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