sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Nova Hollywood

Após algumas crises, a partir do final da década de 1960 e início de 1970, o cinema americano retorna com outra temática

Por Renato Ragazzini

Steven Spielberg e George Lucas

A história do cinema possui pontos marcantes, como na década de 1940, em que foram lançados diversos filmes com temas patriotas. Alguns dos longas desse período atendiam a um claro interesse ideológico de orientação da opinião pública (ou manipulação das massas, como podem preferir alguns). Foi o que aconteceu, por exemplo, no período da Segunda Guerra Mundial e, em seguida, na década de 1950, em função da Guerra Fria. As inovações da época buscavam também superar a competição que a televisão já fazia ao cinema com a invasão de aparelhos de TV nas residências norte-americanas. Mas o final da década de 1960 foi o período responsável por marcar a história do cinema dos EUA.

Para começar, ocorreu um novo modo de fazer cinema. A inovação se verificou, por exemplo, na abordagem diferenciada presente romances, em que os protagonistas não necessariamente eram “heróis”. Os filmes que marcaram essa nova era - que durou até o início dos anos 1980 - foram Bonnie & Clyde - Uma rajada de balas (1967), O Fantástico Doutor Dolittle (1967), A primeira noite de um homem (1967), Adivinhe quem vem para jantar (1967), 2001: Uma Odisséia no espaço (1968), O Exorcista (1973), Tubarão (1975), Taxi Driver (1976), Todos os Homens do Presidente (1976) Star Wars (1977) e Apocalipse Now (1979).

Tânia Lamarca (cineasta catarinense e produtora de TV) afirma que, após a depressão (1929), Hollywood vive os seus anos de ouro nas décadas de 1920, 1930 e 1940, e nos anos 1960, novos recursos técnicos possibilitam o desenvolvimento pleno de todos os gêneros de filme. A filmatografia nessa “Nova Hollywood” refletiu as preocupações do povo americano, vinculando as problemáticas sociais e políticas do momento (como a Guerra do Vietnã), mas também outras produções que visavam diversão ao espectador, fugindo um pouco dessa abordagem sociopolítica. Diferentemente dos anos 1960, Tânia ressalta que na década de 1930, após a crise de 29, houve um cinema de reflexão, mais ameno e dócil, com filmes musicais, iluminações e ângulos que questionavam a situação social americana neste período.

Já Renato Rossi, graduado em Comunicação Social na FIAM (Facudades Integradas Alcântara Machado), com experiência de 24 anos como diretor de cena e de fotografia de cinema publicitário, afirma que a década de 1960 foi um resultado de longos anos de investimentos na cultura americana. “Os EUA tentaram sair da grande crise de 1929, mostrando força da sua recuperação econômica através de mega-obras civis como a barragem elétrica de Hoover Dam (1936) no sudoeste americano e, por fim, no cinema. Neste período foi utilizado muito dinheiro em filmes épicos e elencos grandiosos. Essas ações ajudaram o cinema americano a se fortalecer para não perder espectadores diante do advento da TV, nos anos 50 e 60”.

Outra característica do cinema da Nova Hollywood foi o uso de recursos identificados com o chamado pelo "cinema de autor”. Período em que os jovens diretores expressavam criatividade na construção de cenários, personagens, maquiagem e outras técnicas de fotográficas com o objetivo de expressar a maneira como eles observavam o mundo. “Não apenas este, mas neste período, houve um grande avanço de marketing e da comercialização, tornando assim o cinema mais espetacular e emocional, conquistando o grande público em todo o mundo”, comenta Renato Rossi.

                                                                                                        

A quebra da censura


A história do cinema também sofria com alguns critérios rígidos e proibições, pois um filme poderia ser considerado “imoral” para os padrões da sociedade. Se na década de 1920, o cinema mudo mostrava orgias, mulheres nuas e cenas de aborto, por exemplo. Já na década de 1930, a reação da extrema direita americana deu início a criação do “Código Hays (1934)”, um tipo de censura que acabou durando até o início dos anos 1960. Os filmes eram avaliados por uma comissão julgadora, que aprovava ou não os longas que iriam ser exibidos.

Para Tânia, a queda deste código foi benéfica, pois foi substituído por um sistema de classificação por idade, vigente até hoje, dando liberdade aos autores, roteiristas e produtores. A queda do código foi importantíssima para o início dessa nova Hollywood, pois ele distorcia a realidade e tornava os roteiros mais artificiais, amarrados em um “politicamente correto”, argumenta Rossi.

Nesse quadro de mudanças, surgiram, afinal, novos nomes que – com o tempo – se tornaram destaque na direção das produções de Hollywood, entre os quais estão George Lucas, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Robert Altman, Brian De Palma e Sam Peckinpah. São eles – entre outros – que têm feito, hoje, a indústria do cinema norte-americano o sucesso de público (e, portanto, comercial) que ainda é.

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