Imagine assistir ao filme no cinema, somente com imagens e aquela trilha sonora clássica? Era assim que se assistia filmes até 1927
Por Sidinei Pamponet
O divisor de águas do cinema foi a transição do mudo para o falado. A partir de então, começa a chamada “década de ouro do cinema” ou “anos dourados de Hollywood”. Apesar do “ouro”, seu inicio é marcado pelo cenário da intensa crise nos EUA, deflagrada após o colapso da bolsa de valores, em 1929. Esse ambiente serve de estímulo para a “indústria dos sonhos” como ficou conhecida. Produtores de cinema começaram a desenvolver trabalhos com conotação social e propagandista que exaltavam o “american way of life” – estilo de vida americano. Algo deveria ser realizado para aumentar a auto- estima dos cidadãos da América. Além disso, o cinema era o veículo perfeito para transmitir aos EUA e ao mundo a ideologia de vida americana.
Nesta década inteira até o final dos anos 1940, Hollywood viveu o auge das consideradas grandes produções do século passado. Notáveis diretores como Victor Flaming (E o vento levou e O Mágico de Oz, ambos de 1939), Michael Curtis (Casablanca, 1942), Frank Capra (A felicidade não se compra, 1946) e Orson Welles (Cidadão Kane, 1941) foram os que mais traduziram para a telona os anseios e a moral do povo americano da época. Este último, vale dizer, é considerado por muitos teóricos um dos mais polêmicos autores de toda historia do cinema. Basta navegar na historia e descobrir que foi Orson Welles que, em 1938, fez uma narração através do rádio do livro A Guerra dos Mundos (1898), de Herbert George Wells, tão realista e cheia de dramatização que causou pânico e ganhou notoriedade nacional.
Segundo Daniel Dalpizzolo, editor do site sobre cinema Cineplayers (www.cineplayers.com), essa foi a época mais impressionante de Hollywood, quando se produziram várias obras-primas inesquecíveis num pequeno espaço de tempo. “Grandes estúdios, filmes produzidos em série, bons atores, gêneros em harmonia com o contexto da época, o público comparecendo em massa às salas de cinema e as bilheterias rendendo lucro aos estúdios. Tudo isto funcionando perfeitamente bem, garantiu o título a essa fase de ‘era de ouro’,” ressalta Daniel.
Os musicais também contribuíram para as décadas de glória de Hollywood. Muitos atores despontavam dos musicais da Broadway para o cinema e vice-versa. Os mais famosos eram requisitados pelos estúdios e pelos produtores das peças. Alguns deles conseguiam a façanha de estar em cartaz no cinema e nos teatros ao mesmo tempo. Essa grande demanda de trabalhos fazia com que os atores nunca ficassem sem emprego, porém os deixavam cada vez mais atrelados aos estúdios da época.
A hegemonia de três grandes estúdios cinematográficos MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), Columbia Pictures e Warner Bros contribuiu para a produção em série de filmes e uma safra incrível de bons e belos atores. Alguns se tornaram grandes clássicos eternizados até hoje na memória dos saudosistas e dos apaixonados por cinema, os chamados cinéfilos: Charles Chaplin, Claudette Colbert, Bette Davis, Humphrey Bogart, John Wayne, Clark Gable, Vivian Leigh – estes últimos, protagonistas de E o Vento Levou. Segundo a revista WebCine, em 2008, Gable e Leigh formaram o casal mais assistido do mundo. Foram 120 milhões de espectadores.
Como diz o ditado popular “tudo que é bom dura pouco”. Isto aconteceu com a era de ouro de Hollywood. A chegada dos anos 1940 trouxe consigo a guerra. Até o final desta década, Hollywood continuou com o ritmo intenso de produções e revelação de belos atores. Seus filmes continham um alto teor de defesa à democracia e contra os regimes totalitários, combatidos nos campos de batalha pelos EUA e por boa parte da Europa. E a própria guerra tornou-se uma das temáticas prediletas de Hollywood na época.
Mas é a partir deste período que o declínio da “Meca do cinema” se agrava. Segundo Rafael Ciccarini, professor de Comunicação Social da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Hollywood perde o brilho no início da década de 1950. “Embora não haja um consenso sobre esta data, vale ressaltar que foi justamente nestes anos que a televisão começou a se popularizar”, enfatiza Rafael.
Nesse período as produções épicas chegariam ao fim, encerrando a chamada “era de ouro de Hollywood”. Porém, nos anos 1960, o cinema americano reage com novas abordagens, novos diretores e novas produções para enfrentar a era fervorosa da televisão, dando início a outra fase, a chamada “Nova Hollywood”.
Entre os anos de 1920 a 1950 que além importantes para o cinema, devido as produções consideradas como clássicas, mostrou para o mundo a ascensão cinematográfica e também o poder econômico dos Estados Unidos.

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