Por Michel Penna
Já faz um tempo que aconteceu a última premiação do Oscar, que o filme "Guerra ao Terror" da diretora Kathryn Bigelow, levou seis estatuetas, inclusive a de melhor filme e de melhor diretora.
O filme "Avatar", de James Cameron, levou três estatuetas, mas era o mais cogitado a vencer a de melhor filme por causa do enorme sucesso de bilheteria que teve. Só que para a surpresa de muita gente o escolhido foi o filme de sua ex-mulher.
Particularmente, já assisti o vencedor "Guerra ao Terror" e é um bom filme, mas será que realmente era o melhor para ganhar o prêmio?
Finalmente consegui assistir o "Avatar", uma semana antes de sair de cartaz, e não me arrependi do que vi, uma ótima produção, digna de um Oscar.
Mas a premiação não é só aquilo que é mostrado, nos bastidores da votação há muitas discussões para a escolha do vencedor, principalmente de melhor filme. E não é só de técnicas de produção, também há discussões de ideologias.
O que pouca gente sabe é que as mensagens que um filme transmite, as idéias que ele defende podem ser determinantes para receber um prêmio.
O "Guerra ao Terror", como todo "bom" filme norte-americano, defende sempre o seu lado - a história gira em torno de seus soldados, são sempre os bonzinhos e sempre aparece a bandeira dos Estados Unidos em alguma cena - coisas de prache.
Já o "Avatar" mostra outra visão, põe os soldados americanos como os vilões - eles querem destruir a mata nativa de um planeta, o habitat de um povo local, tudo por causa do dinheiro, da ambição de conseguir pedras preciosas - colocando em destaque mensagens ambientais e anti-capitalismo, o que vai totalmente contra a ideologia norte-americana.
E no Oscar, como todos os jurados são dos Estados Unidos (óbvio), não gostaram nadinha dessas mensagens contra o capitalismo, que é a "base" do país. E escolheram como melhor filme do ano a produção de Kathryn.
Isso pode não ser a principal razão da escolha do ganhador, mas se não foi, teve influência.
Claro que há muitas pessoas que discordam dessa questão e eu também não sou contra o "Guerra ao Terror", que é um bom filme, pois o assunto não é a qualidade das produções. Mas essa questão burocrática e ideológica é algo que precisa ser pensado. Não teria uma certa lógica?
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